Tempo de leitura: aproximadamente 5 minutos
A menopausa ainda carrega um peso que ela não merece. Durante muito tempo — e ainda hoje, em muitos contextos — essa fase foi apresentada como sinônimo de declínio, de fim, de perda. Perda da juventude, da fertilidade, da relevância.
Mas o que acontece quando a gente para de olhar para a menopausa pelo que ela encerra e começa a olhar para o que ela abre?
O que é a perimenopausa e quando ela começa?
Antes de chegar à menopausa em si, o corpo passa por um período de transição chamado perimenopausa. Essa fase pode durar de dois a dez anos e costuma se iniciar entre os 40 e os 50 anos, embora varie de mulher para mulher.
Durante a perimenopausa, os níveis hormonais — principalmente o estrogênio e a progesterona — começam a oscilar. O ciclo menstrual se torna irregular. Podem aparecer sintomas como ondas de calor, alterações no sono, variações de humor, lapsos de memória e mudanças na libido.
A menopausa é definida clinicamente após 12 meses consecutivos sem menstruação. O que vem depois é chamado de pós-menopausa.
Esses termos importam porque muitas mulheres chegam a essa fase sem informação — e a falta de informação transforma sintomas normais em fonte de ansiedade, vergonha ou confusão.
Menopausa não é só calor e insônia
Sim, os sintomas físicos são reais e merecem atenção e cuidado. Mas reduzir a menopausa a ondas de calor e noites mal dormidas é ignorar uma dimensão muito maior dessa experiência.
Essa é também uma fase em que muitas mulheres se veem diante de perguntas que ficaram represadas por anos:
- Quem sou eu fora do papel de mãe, agora que os filhos cresceram e saíram de casa?
- Esse trabalho ainda faz sentido pra mim?
- Esse relacionamento me faz bem?
- O que eu quero pra mim mesma agora?
Não são perguntas fáceis. E justamente por isso, muitas mulheres as evitam — ou as sentem como sintoma de algo errado, quando na verdade são sinais de uma reorganização interna necessária e legítima.
A ciência aponta para o que muitas já sentem
Uma revisão sistemática qualitativa publicada em 2025 no Health Promotion International (Oxford Academic) identificou que muitas mulheres descrevem a menopausa como um momento de transformação pessoal: relatam ter encontrado a própria voz, tornaram-se mais assertivas, menos dispostas a fingir que está tudo bem, e passaram a priorizar o cuidado de si mesmas de formas que antes não conseguiam.
A ciência confirma o que muitas já sentiam — mas que a cultura insiste em não contar.
Não é declínio. É chegada.
Por que essa fase incomoda tanto ao redor?
Uma mulher que para de se moldar para os outros incomoda. Uma mulher que começa a dizer não, a questionar o que sempre aceitou, a colocar as próprias necessidades na conta — isso desestabiliza estruturas que dependiam da sua adaptação.
A menopausa, nesse sentido, não é apenas uma transição biológica. É também um momento em que muitas mulheres deixam de se organizar em torno das expectativas externas e começam a se perguntar o que realmente querem.
Isso pode gerar estranhamento — inclusive interno. Sentir que não se reconhece mais, que o chão mudou, que as antigas referências não servem da mesma forma. Isso não é crise. É reorganização.
Quando outras transições acontecem ao mesmo tempo
A perimenopausa e a menopausa frequentemente coincidem com outros momentos de virada na vida:
- Filhos que saem de casa — e o espaço que fica, que pode ser vazio ou liberdade, dependendo de como é vivido
- Revisão da carreira — o que construí até aqui ainda faz sentido? Para onde quero ir?
- Fim de relacionamentos — ou questionamentos profundos dentro deles
- Mudanças de cidade, de rotina, de identidade
Quando tudo isso acontece junto, o peso pode ser muito grande. E a tendência é medicalizar o sofrimento — tratar a ansiedade, o cansaço e a sensação de desorientação como sintomas a suprimir, e não como sinais a escutar.
O papel da psicoterapia nessa fase
A psicoterapia não é para quem está em crise. É para quem quer entender o que está vivendo.
Nessa fase de transição, um espaço terapêutico oferece o que raramente encontramos no cotidiano: tempo para si mesma, escuta sem julgamento, e suporte para atravessar as perguntas difíceis sem precisar ter todas as respostas imediatamente.
O sofrimento emocional que muitas mulheres experimentam na menopausa — ansiedade, sensação de invisibilidade, perda de identidade, luto por fases que passaram — tem causas reais. Não é fraqueza. Não é exagero. E não precisa ser atravessado sozinha.
Uma pergunta para levar
O que você quer ser quando envelhecer?
Essa pergunta não tem resposta certa. Mas merece ser feita — e merece um espaço onde você possa respondê-la com honestidade, sem pressa e sem precisar caber nas expectativas de ninguém.
Se você está nesse momento da vida e sente que precisa de um lugar para se entender melhor, a psicoterapia pode ser esse espaço.
Atendimento presencial em Fortaleza e online.
Fonte: Health Promotion International, Oxford Academic (2025). “Women’s experiences and expectations during the menopause transition: a systematic qualitative narrative review.” Disponível em: https://academic.oup.com/heapro/article/40/1/daaf005/8042910


