As fantasias voltam para as caixas,
o glitter insiste em permanecer nos cantos improváveis,
e aos poucos a vida vai retomando o seu ritmo
sem música alta para disfarçar o que sentimos.
E é curioso… porque o Carnaval não é só o que aconteceu.
É também o que adiamos.
As conversas que deixamos para depois.
As decisões que pediram coragem e deixamos em suspensão.
As verdades que sussurraram baixo enquanto o mundo gritava alto.
O Carnaval nos convida a sair de nós.
Mas agora, a vida nos convida a voltar.
Voltar com leveza.
Porque dançar, celebrar, fantasiar, também é sagrado.
Mas voltar com presença,
porque viver é mais do que celebrar,
É sustentar o que se sente quando a festa acaba.
Não se trata de abandonar a alegria.
Trata-se de não usá-la como esconderijo.
Existe uma força bonita nesse tempo.
Uma coragem silenciosa de olhar para o próprio ano que começa, não em janeiro, mas agora…
quando as desculpas diminuem e a verdade ganha espaço.
Que você não carregue o peso do que não é mais seu.
Que você não se apegue nem ao que foi bom, nem ao que doeu.
Que você carregue apenas a si mesma.
Inteira, presente, disponível para o que nasce.
O ano não começa quando o calendário vira.
O ano começa quando você decide estar aqui.
Sem fantasia, mas com verdade.
E, quem sabe, com um pouco de brilho ainda na pele…
só para te lembrar que a vida também é feita de dança
Texto elaborado pela psicóloga Maria Lidiane Araújo Mota Ponciano
CRP 1103579
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